Sobre Nós

Somos um mergulho na própria alma. Somos o pedido realizado dentro do coração que quer crescer. Somos o autoconhecimento e o reflexo. Somos a semente da compaixão e uma porta de volta pra África ancestral, que nos une a todos. Somos a união entre todos os laços. Somos a harmonia das coisas. Somos o visto e o não visto. Somos o guardião invisível e o abraço da Mãe. Somos a primeira folha que nasce no mundo e seu nome secreto.

Somos tudo isso dentro de vidros de incensos, banhos e pós sagrados.

Criamos banhos, incensos e pós sagrados feitos somente das ervas e da tradição milenar que permeia nossas histórias familiares, nossos afetos e nossas memórias, harmonizando os conteúdos para nos auxiliar no autoconhecimento, na superação dos nossos obstáculos e, por fim, nos ajudar a sermos – e vivermos uma existência – completos.

Cada erva é escolhida pela sua propriedade espiritual e seu pertencimento a um Nkisi – uma força da natureza divina e viva, que movimenta e organiza a nossa própria vida – e são combinadas de acordo com as histórias e ligações entre as divindades – criando narrativas invisíveis e ancestrais que orientam e organizam os movimentos propostos para cada incenso e cada banho.

Através de processos que podem durar até três meses, as extrações naturais seguem preceitos de pureza ritual litúrgicos seguidos há milênios, passados oralmente e preservados através da prática diária.

As receitas foram organizadas através do jogo oracular tradicional das comunidades tradicionais de terreiro de matriz africana e de tradição de Angola – o Taramensu, ou jogo de búzios, sacralizado e organizado sob autoridade de sacerdotisas e sacerdotes que guardam o segredo da interpretação das caídas e suas correspondências.

Foram, até agora, onze anos de dedicação à sabedoria das ervas e à sabedoria ancestral que se guardou em palavras, mistérios e livros passados de mão em mão.

Um tesouro milenar na palma da mão.

Lembamuxi (João Diel)

A história segundo a infância.

Quase todas as minhas memórias infantis estão dentro de um quadrado muito específico: o quintal da minha bisavó, que abrigava a maior horta do mundo (pra mim). Lá crescia de tudo: hortelã cobria tudo, alfaces e verduras frescas sempre bem regadas, o chuchu crescia nas paredes do lado do maracujá que tinha achado um caminho por cima da cabeça da gente.

A alamanda amarela cresceu por cima da treliça branca que eu costumava escalar para ficar mais alto que todo mundo – e, no verão, ela tinha um barulho próprio, que vinha da infinidade de zangões e besouros e insetos enormes que vinham morar nela e me afastar usando as mãos da minha avó, já como o papel e com unhas compridas e curvas.

Quando era muito de noite, se eu conseguisse uma vela, montava um caldeirão no jardim onde eu fervia a erva cidreira e criava poções noturnas. Se eu girasse rapidamente com os incensos de varetinha, eu construía formas iluminadas que encantariam as poções naquelas noites. Quando eu bebia, fingia que não tinha gosto de vela.

Se era muito de noite, eu tentava adivinhar quais eram as constelações. Eu imaginava que se eu olhasse todos os dias eu poderia ver quais estrelas teriam se mexido – mas eu tinha de dormir e também tinha o dia e quando eu voltava eu não lembrava daquele céu. Eu também saberia quem era Sagitário e para onde estava apontando – e meu sonho infantil era um telescópio para poder ver as estrelas de perto.

Se o dia fosse preguiçoso, eu poderia brincar com um kit de alquimia (nossa!) que eu tinha – e transformar o rosa em branco em rosa em branco, o que era muito mais legal do que transformar água em (blergh) vinho. Passava horas olhando para os tubos de ensaio, sem usá-los, só imaginando tudo o que poderia acontecer dentro deles – e, no fim, economizava como preciosidades cada gota do kit e as misturava em pensamento, só para que ele nunca acabasse.

Um dia quebrei um termômetro de mercúrio e então eu vi a vida toda particular dos metais mágicos – porque era irreal e eu também então podia ser irreal.

A história segundo a adolescência.

Quando a Internet chegou, tudo era possível.

Houve uma época na qual eu participava de uma micronação – uma simulação política, cultural e toda peculiar de uma nação que funcionava, basicamente por e-mail – e lá eu era responsável pelo Observatório. Traduzia do Inglês traduzido do Latim as cartas das calendas, das datas importantes, lembrando das luas e dos dias da semana. Fundei um jornal online chamado Luna.

Os jogos incríveis com monstros mirabolantes e civilizações que nasciam de uns pixels e criavam maravilhas em vídeos em movimento de pura animação gráfica – colocavam seus pés nesse lugar místico, oculto e deliciosamente não explicado da magia.

Eu conseguia, se me esforçasse e procurasse em inglês, achar livros sobre essa busca de encantamento – e encontrei a Wicca, com sua Deusa e seu Deus perene, seus ciclos e a autorização que ela me deu para criar, a partir da minha própria energia e sabedoria, objetos e talismãs: e alívios para a alma.

Havia cartas com personagens e lugares maravilhosos que só poderiam ser acessados através da imaginação dedicada – e eu criava relações entre as imagens e entre os jogos, entre os livros e os textos que estavam acontecendo pelo colégio e..

e então, para meu amor eterno e agradecimento sincero, houve Clarice.

A história segundo o Homem.

Durante a graduação em Letras pela Unicamp, encontrei o Candomblé Angola. Dois amigos dançarinos frequentavam um lugar e diziam coisas incríveis: suas sensações cheias de descrições do corpo e do coração agitado me deixaram curiosíssimo. Fui, em segredo, me consultar com os búzios – e ali eu entendi que ser exatamente quem eu sou era permitido, era entendido e que eu não estava tão sozinho, pois em mim morava a energia de um elemento da natureza: o ar, a criação, a vida, a sobrevivência.

Após me iniciar nesse mistério, decidi que resgataria minhas folhas e ervas e as usaria de acordo com essa harmonia musical que é o conhecimento tradicional de tradição de terreiro. Me iniciei em 2008.

O caminho espiritual seguiu durante o Mestrado, quando estudei as imagens do Livro dos Reis, um livro persa cheio de criaturas mitológicas e sabedoria do sufismo, imagens do deserto, derviches e a Amada; que só se contempla pelo canto do olho, como uma estrela guia.

Após me ver sozinho no deserto, sem guia, dei minha obrigação da maioridade espiritual – o que me possibilitou trazer mais ferramentas e mais conhecimento para a produção daquilo que eu havia inventado: um vidrinho com incenso em pó, feito somente das plantas e das ervas, tratadas com pureza ritual e muito amor, muito carinho e muito axé.

Octavio Cestari

Vendas, E-Commerce e Marketing.

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Marina Diel

Produção.

Marcelo Diório

Revendas.

Leitura e música.

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